sábado, 14 de fevereiro de 2009

Post Mortem

e para ti, fica minha alma e minha
vida

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Aqui ponho o meu testamento, para que se assente que estou em plena posse das minhas faculdades mentais é que estão junto comigo o Ódio e o Amor de testemunhas deste testamento. Como meus últimos desejos, posso citar que tenham uma boa vida, que saibam viver, e que saibam morrer em meio a noite, para renascer de manhã, na aurora de um novo dia.

Façam o bem aos seus companheiros. Se souberem dizer sim, então ouvirão muitos sins, mas se apenas souberem dizer não, tudo lhes será negado. Para meu filho mais velho deixo uma bengala, para que se acostume com o peso da idade que se avança. Para meu filho do meio, deixo minhas ferramentas. Que execute bem seja qual for o trabalho, esse é o desejo de seu velho pai. Para o meu filho mais novo deixo o livro. Não qualquer livro, mais ele saberá qual é. Que se lembre de cada palavra desse livro, e nunca viva como seu pai viveu.

E para ti, que lê está cartá PostMortem, esse documento tão fúnebre, essa sentença que se aplaca sobre o peito de um que não lhe diz qualquer respeito. Para ti, eu deixo o segredo da minha vida. É para ti que vai a minha alma, a minha vida, e o meu coração. Faça bom uso deles.

Com essas poucas palavras lhes dou meu solene adeus! Nunca mais me verão, uma vez que este que vos escreve foi morto, esquartejado, e cremado. Como desejaria outro destino para minhas cinzas, mas que seja então, no alto da colina da árvore solitária. Não me visitem. Não lembrem de mim. Não tentem desenterrar velhas rixas. Apenas pegem o que é seu, e me deixem descansar em paz.

Adeus!

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